É possível evitar enchentes nas grandes cidades?

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Todos os anos é a mesma coisa na época das chuvas de verão. As regiões metropolitanas das grandes cidades enfrentam as enchentes que desabrigam milhares de pessoas, além de ferir e até matar outras tantas. Normalmente os maiores prejudicados são as pessoas pobres da periferia que não possuem condições seguras e ideais de moradia, estando a mercê das precárias condições urbanísticas da cidade.

As enchentes que abalam grande parte das metrópoles brasileiras nos dias de hoje são resultado de um longo processo de modificação e desestabilização da natureza por forças humanas, que acompanha o crescimento rápido e não planejado da maior parte da grandes cidades no Brasil.

Não existe fórmula mágica para evitar os alagamentos, mas algumas mudanças na estrutura dos grandes centros urbanos podem minimizar o efeito do excesso de água.O desafio principal é encontrar alternativas para evitar a impermeabilização do solo e o assoreamento dos rios (acúmulo de detritos que causa a redução da profundidade e da vazão). Afinal, reduzir o volume de chuvas não é possível, nem desejável. Em São Paulo, por exemplo, o volume médio de chuvas em dezembro e janeiro – os meses mais molhados do ano – é de cerca de 200 milímetros ou o equivalente a 200 litros de água em 1 metro quadrado por mês. Mas, às vezes, o volume mensal desaba de uma só vez, em um único dia de chuva intensa. Em certos dias de enchente no ano passado, chegaram a cair 83,8 milímetros em uma hora na Terra da Garoa! Como as vias de escoamento da cidade não dão conta de drenar tanta água e os rios estão cada vez mais estreitos e rasos, o resultado são ruas alagadas, trânsito e todo o caos que você já deve conhecer.

Chuva forte provoca transtornos na zona norte de Osasco

Dois temposAlgumas mudanças estruturais podem livrar uma cidade de enchentesPINTOU SUJEIRANão precisa nem falar que jogar lixo nos rios polui a água e acaba com qualquer tipo de vida que exista por ali. Mas o mau costume causa ainda o assoreamento dos rios, ou seja, o lixo se acumula nas bordas e no fundo dos rios, deixando-os mais rasos e estreitos. Assim, transbordam facilmenteTRÁFEGO PROIBIDO

Usar avenidas vizinhas a rios como vias de grande circulação é uma péssima idéia. Quando chove muito e o nível do rio sobe, essas áreas são as primeiras a sofrer e comprometem o trânsito da cidade inteira

RESPIRACHÃO

Áreas cobertas com asfalto e cimento ficam totalmente impermeáveis. Além de impossibilitar a absorção da água da chuva, o solo impermeabilizado faz a água correr mais rápido e tomar conta da cidade rapidamente

ABRINDO UMA BRECHA

O uso de pavimentos mais permeáveis à água é uma alternativa ao asfalto. Blocos intertravados – como os usados em calçadões e em ruas de cidades menores – assentados sobre areia permitem que a água penetre no solo e escoe sob o piso das ruas e avenidas

AVENIDA VEGETAL

Nas margens dos rios, o ideal seria ter faixas cobertas por vegetação. Em casos de transbordamento, a água seria absorvida pelo solo livre de calçamento. As vias de tráfego intenso ficariam o mais longe possível das áreas facilmente alagáveis

VERDE QUE TE QUERO VERDE

Quanto mais espaço coberto por vegetação, melhor. Solo não pavimentado absorve até 90% da água da chuva. As cidades deveriam ter 12 m² de área verde por habitante – São Paulo tem uma média de apenas 4m²

PISCININHAS

Algumas cidades já têm piscinões para receber a água das chuvas, mas outra solução possível é a construção de minipiscinões em casas e edifícios. Além de evitar inundações, os reservatórios permitiriam usar a água da chuva em serviços domésticos

Os piscinões viriam substituir uma das funções das antigas várzeas, que é aliviar o quadro de inundações nos picos de cheia. O grande problema é que os ecossistemas associados às regiões ribeirinhas foi extinto quando o ser humano construiu nelas. Hoje, não há condições para a vida nos rios das grandes metrópoles.

Outro fator agravante das enchentes é a retificação dos rios. Na natureza, os rios com considerável volume de água são curvilíneos, ou seja, caminham como uma serpente. Esse trajeto diminui de forma considerável a velocidade da água. Retificá-lo significa aumentar sua velocidade, o que agrava a situação nos pontos de estrangulamento (conversão de águas).

Outro fator relevante e não menos importante é interferência humana. Ocorre em vários estágios começando pela fundação de cidades em limites de rios, pelas alterações realizadas em bacias hidrográficas, pelas construções mal projetadas de diques, bueiros e outros responsáveis pela evacuação das águas e ainda pelo depósito errôneo de lixo em vias públicas que, com a força das águas, são arrastados causando o entupimento dos locais de escoamento de água (bueiros e galerias).

Contribuíram para essa matéria: Mundoestranho e portalSãoFrancisco

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