Política x Religião – uma mistura perigosa e cada vez mais explosiva!

Por Roberto Carlos C

Logo após a Proclamação da República, com a Constituição de 1891, o Brasil tornou-se um estado laico. Ou seja, aqui não existe religião oficial. Por extensão, política e religião são no país coisas separadas. Em qualquer lugar do mundo, sua mistura é explosiva, deletéria e arriscada. Nas eleições municipais de São Paulo esse ano, essa indesejável combinação chegou a um ponto preocupante.

Alianças desse tipo durante as campanhas estão longe de representar uma novidade. Outros candidatos também as fazem, mas nada que se compare às de Russomanno. O tucano José Serra é apoiado foi apoiado por duas importantes vertentes evangélicas: a Igreja Mundial do Poder de Deus, do apóstolo Valdemiro Santiago, e a Convenção Geral das Assembleias de Deus, que agrega cerca de 400.000 fiéis.

Gabriel Chalita, do PMDB, costurou o endosso com católicos carismáticos e grupos evangélicos como a Sara Nossa Terra. Já o petista Fernando Haddad recebeu em agosto homenagens da Federação das Associações Muçulmanas do Brasil, que agrega a maior parte das cerca de dez mesquitas existentes na capital. A igreja do padre Marcelo Rossi também virou ponto de romaria. Além de Russomanno, passaram por lá Chalita e Serra. “Lamentavelmente, o estado laico perdeu a força, hoje, o mesmo pastor que exorciza o demônio promove um candidato. É surreal!

Nunca deu certo e jamais será possível a mistura da política com a religião, basta estudarmos história e veremos que todas as tentativas acabaram em tragédias que marcaram a humanidade. Na Idade Média, com a queda do Império Romano, a Europa estava desorientada politicamente e a igreja católica assume o comando: uma desgraça. Pessoas foram queimadas vivas em fogueiras, decapitadas, serradas ao meio. Papas, bispos e padres tentaram conduzir administrativamente a sociedade e foi catastrófico. A igreja católica assume o poder à partir da falsa conversão do imperador Constantino.

Hoje estamos experimentando o retorno a este fenômeno com o fundamentalismo islâmico em alguns países onde se proclama um estado teocrático e se dá à partir de 1979 no Oriente Médio. Lá pessoas morrem apedrejadas até a morte seguindo mandamentos religiosos, o estado religioso é quem pune e não é muito diferente do período medieval, protestantes e até cristãos católicos sofrem inúmeras perseguições que todo dia noticiamos aqui.

Quando fundimos religião e política isto recebe o nome de fundamentalismo. As igrejas deveriam ser usadas apenas para mostrar ao mundo a que Cristo veio, e informar que ele estará em breve de volta. Nenhum padre, pastor ou líder de qualquer religião que seja tem o direito ético e moral e covardemente usar o microfone onde deveriam ministrar o evangelho para pedir voto para este ou aquele candidato ou candidata.

O máximo seria orientar mas sem fundo ideológico como temos visto nos últimos dias. Será que os exemplos do passado e do presente não são suficientes ou querem tornar o país numa só religião? Se for isto então comecemos pelas conversões e vivamos o que pregamos, assim todo o país será cristão e ficará fácil governar. Se a transformação do mundo tivesse que começar pelo campo político Jesus Cristo assim teria ensinado. Voltemos ao evangelho puro e simples enquanto há tempo.

A corrida em busca de fiéis está intimamente ligada ao esforço dos candidatos em aumentar seu rebanho eleitoral. Nesse universo, os evangélicos vêm recebendo atenção cada vez maior dos políticos devido ao seu crescimento acima da média e à obediência que boa parte dos fiéis demonstra diante dos pedidos dos pastores. Entre 1991 e 2010, o número de seguidores saltou de 232.000 para 2,5 milhões, o equivalente hoje a aproximadamente 20% da população paulistana.

Cúmulo do absurdo!

Buscar apoio dos mais diferentes segmentos de eleitores faz parte do jogo democrático. “O problema é quando se estabelece um esquema de toma lá dá cá em troca das adesões”, comenta o cientista político Rubens Figueiredo. “Alguns dos compromissos assumidos pelos candidatos podem resultar em ações prejudiciais à cidade.” Não raro o apoio sai caro para os partidos. “Há pastor que pede 5 milhões de reais para recomendar um candidato”, diz um dos prefeituráveis.

Observe o Oriente Médio que sofre há anos com a questão religiosa

A motivação religiosa existe, mas é muito simplista achar que ela é a única. Os conflitos, hoje, têm a ver com as conseqüências da descolonização (França e Grã-Bretanha) e as influências ocidentais. Os países do Oriente Médio são, em sua maioria, países em desenvolvimento, com grandes desafios a superar, injustiças sociais e discordâncias internas. O principal conflito no Oriente Médio se dá entre palestinos e israelenses. Mistura disputas territorial e religiosa. Em um dos lados estão os palestinos muçulmanos (há palestinos de outras religiões), que querem todas as terras sagradas ocupadas por Israel para o Islã. Do outro, os israelenses judeus (também existem israelenses cristãos), que não querem abrir mão das terras reivindicadas pela Palestina.

Não queremos que a religião e política sejam fatores de discórdia e destruição do nosso querido Brasil.

Fiquem atentos!!!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s