Falta de energia em Osasco e o péssimo serviço prestado pela AES Eletropaulo

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A chuva do último do último sábado (19) em Osasco, continua causando transtornos. O temporal derrubou quase 60 árvores e deixou varias ruas alagadas. Em algumas regiões, os moradores reclamam da falta de energia elétrica.

Em vários pontos da cidade a principal reclamação dos moradores é falta de energia e o descaso da AES Eletropaulo. Neste último domingo (20), foi identificado no bairro Jd. Baronesa a falta de energia por mais de 12 horas. A falta de atenção da AES Eletropaulo revoltou alguns moradores e comerciantes que dependem da energia para manter seus estabelecimentos.

A comerciante Floriana Maria de Oliveira que mora no Baronesa, reclamou da demora do serviço prestado e falta de orientação da empresa. “Eu tenho uma Soverteria e preciso da luz, três horas já suficientes para perder toda a minha mercadoria, eu liguei na Eletropaulo e a falta de respeito é muito grande com os clientes, eles colocam uma gravação e deixa a gente plantada no telefone sem nenhum retorno, um absurdo!”, reclamou a comerciante revoltada com a falta de atenção da AES Eletropaulo.  Outro fator relatado por vários moradores do bairro é a demora no atendimento e as constantes quedas de energia na região. O segurança Emerson Oliveira, alega que basta chover para ocorrer queda de energia no bairro. “Eu moro a mais 37 anos no Baronesa e sempre enfrentamos problemas com quedas de energia aqui no bairro, uma chuvinha já provoca um verdadeiro caos para nós moradores, a Eletropaulo não presta um serviço adequado e somos tratados com descaso”, relatou o morador indignado.

Eletropaulo não explica porque não melhora serviços apesar de lucro bilionário

A indignação da população da Região Metropolitana de São Paulo com os péssimos serviços prestados pela AES Eletropaulo foi exaustivamente exposta por dezenas de moradores ao diretor executivo de operações da empresa, Sidney Simonaggio, em audiência pública na Assembleia Legislativa de São Paulo em 2012.

A iniciativa dos deputados Geraldo Cruz, Marcos Martins e Isac Reis, pretendia que a Eletropaulo esclarecesse os motivos e apontasse soluções, principalmente, com relação aos constantes cortes no fornecimento de energia elétrica em sua área de concessão. No entanto, Simonaggio praticamente apenas argumentou em sua resposta que a concessionária segue regras definidas pela agência reguladora e que está fazendo investimentos.

Opinião

Passados quase 20 anos desde o inicio das privatizações das distribuidoras de energia elétrica, já se pode fazer um balanço do que foi prometido; e realmente do que esta ocorrendo no país, com um primeiro semestre batendo recorde em falhas no fornecimento de energia elétrica em diversas regiões metropolitanas.

Desde então a distribuição elétrica é operada pela iniciativa privada. As distribuidoras gerenciam as áreas de concessão com deveres de manutenção, expansão e provimento de infraestrutura adequada, tendo sua receita advinda da cobrança de tarifas dos seus clientes.

A tão propalada privatização do setor elétrico nos anos 90, foi justificada como necessária para a modernização e eficientização deste setor estratégico. As promessas de que o setor privado traria a melhoria da qualidade dos serviços e a modicidade tarifaria, foram promessas enganosas. Os exemplos estão ai para mostrar que não necessariamente a gestão do setor privado é sempre superior ao do setor público.

Desde 2006 é verificado na maioria das empresas do setor uma tendencia declinante dos indicadores de qualidade dos serviços com sua deterioração, refletindo negativamente para o consumidor. A parcimônia da Agencia Nacional de Energia Elétrica (Aneel) ante a decadência da prestação dos serviços é evidente. Criada no âmbito da reestruturação do setor elétrico para intermediar conflitos, acabou virando parte deles. A Aneel é cada vez mais questionada na justiça tanto por causa dos blecautes que ocorrem, já que não fiscalizam direito as prestadoras de serviço que acabam fazendo o que querem, como é questionada pelos reajustes tarifários.

Esta falta de fiscalização ilustra a constrangedora promiscuidade entre interesses públicos e privados dando o tom da vida republicana no Brasil. Os gestores da Aneel falam mais do que fazem.

O exemplo mais recente e emblemático no setor elétrico é a da empresa AES Eletropaulo, com 6,1 milhões de clientes, que acaba de receber uma multa recorde de R$ 31,8 milhões (não significa que pagará devido a expectativa de que recorra da punição, como acontece em quase todas as multas), por irregularidades detectadas como o de não ressarcimento a empresas e cidadãos por apagões, obstrução da fiscalização e falhas generalizadas de manutenção. A companhia de energia foi punida por problemas em 2009 e 2010, e devido aos desligamentos ocorridos no inicio do mês de junho, quando deixou as famílias da capital paulista e região metropolitana ficarem três dias no escuro.

O que aconteceu na capital paulista, não é exclusivo. Outras distribuidoras colecionam queixas de consumidores em todo o Brasil. Vejam o caso da Light, com 4 milhões de clientes, presidida por um ex-diretor geral da Aneel, com os famosos “bueiros voadores”, cuja falta de manutenção cronica tem colocado em risco a vida dos moradores da cidade do Rio de Janeiro.

A Companhia Energética de Pernambuco (Celpe), com 3,1 milhões de clientes, controlada pela Neoenergia, uma das maiores empresas do setor elétrico do país, também é outra das distribuidoras que tem feito o consumidor sofrer pela baixa qualidade da energia elétrica entregue, e pelas altas tarifas cobradas.

Infelizmente a cada apagão e a cada aumento nas contas de energia elétrica, as explicações são descabidas, e os consumidores continuam a serem enganados pelas falsas promessas de melhoria na qualidade dos serviços, de redução de tarifas e de punição as distribuidores. O que se verifica de fato, somente são palavras ao léu, sem correção dos rumos do que esta realmente malfeito. A lei não pode mais ser para inglês ver, tem de ser real, e assim proteger os consumidores.

Mostrar firmeza e compromisso público com a honestidade e com a eficiência é o minimo que se espera dos gestores do setor elétrico brasileiro.

Contriuiram para esta reportagem: Viomundo

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