O descrédito da classe política brasileira

Você acredita na política brasileira?

Por Roberto Carlos C

frente

Uma análise de processos por corrupção feita pela CGU mostrou que a probabilidade de um funcionário corrupto ser condenado é de menos de 5%. A possibilidade de cumprir pena de prisão é quase zero. A máquina burocrática cresce mais do que o PIB, asfixiando a livre-iniciativa. A corrupção se disfarça de desperdício e se reproduz nos labirintos da burocracia e nas insondáveis trilhas da selva tributária brasileira.

Não precisamos pesquisar muito para vermos que, pelo menos nos últimos meses, as palavras mais citadas no noticiário são corrupção, mensalão, mensalinho, desvio de verbas, cassação de mandatos e a difamação da política aumentam cada vez mais. A suspeita dos eleitores em relação aos políticos é tamanha que a maioria da população não acredita mais no sistema político brasileiro e nas pessoas que dela fazem parte.

O que os eleitores querem também é pôr a mão na massa: sonham com uma participação maior da população, por meio de debates, audiências públicas e mecanismos da democracia direta, como plebiscitos e referendos.

Uma maior participação política da população é de fundamental importância, sobretudo  participar do orçamento participativo, um mecanismo típico da democracia direta, que já é praticado em cidades do Brasil tem obtido resultados positivos. As pessoas criam novas formas de participação quando outras demonstram estar enfraquecidas.

Não podemos nos iludir achando que só transparência e mecanismos de participação são suficientes para a mudança. A falta de confiança da população chegou a limites extremos. O mecanismo de consulta popular já foi usado duas vezes no Brasil (com o referendo sobre porte de armas, ano passado, e o plebiscito sobre regime de governo, em 1993), mas sem que fosse explorado ao máximo. A Rede é uma ferramenta mais poderosa do que os jornais, por exemplo, com uma grande capacidade de acumular informações. Ainda vai ser muito útil no controle de qualidade dos nossos representantes.

Outros assuntos que estão na cabeça do eleitor são a desigualdade do processo eleitoral (por exemplo: orçamentos de campanha díspares, divisão desigual no tempo destinado a cada partido na propaganda eleitoral gratuita), o tempo de duração do mandato e a reeleição, embora sobre estes dois últimos temas não se tenha chegado a um consenso.

Tradicionalmente vista com certa desconfiança, a imprensa vem ganhando crédito junto à população, em especial a televisiva e da internet. Os noticiários de TV alcançaram a média de 6,81. A TV é o primeiro e o segundo meio de informação de três em cada quatro eleitores.

Os estudiosos da política fazem coro com a população. O voto nulo não altera nada do quadro. Quem vota nulo deixa de contribuir para a derrota dos piores candidatos. Estou convencido de que se pode tomar atitudes como melhorar a legislação e ter um Judiciário mais participativo, mas a melhor limpeza, a mais eficiente é aquela feita pelo eleitor, na hora do voto.”

Entretanto a complexidade da democracia brasileira permite que ela própria assimile o protesto. Veja só: “em um contexto de distanciamento das pessoas em relação à vida política do país, em que formas de protesto posso me envolver?” Teríamos muitos espaços para isto: redes sociais, audiências públicas, movimentos de rua, eventos artísticos… No entanto, curiosamente percebemos uma grande parcela, especialmente no público jovem que decide o voto de forma “bizarra”. Outro dia participei de uma conversa informal com amigos estudantes universitários e um deles fez a seguinte afirmação: “vou assistir um programa eleitoral e votar naquele que eu achar mais ridículo”. E vários colegas concordaram com esta afirmação. Em outros termos, estar no ensino universitário não indica necessariamente um voto “consciente”, mas um voto de protesto equivocado, no meu ponto de vista. O protesto e a crítica devem ser constantes, mas as eleições são um espaço de proposição, de escolha. Nossos políticos não irão elevar o debate político nas próximas eleições só porque um candidato canalizou votos de protesto nas eleições anteriores. Não tem nada a ver uma coisa com a outra. Outro fator relevante é a dificuldade de expressão e conversação alguns políticos, isso faz com que boas propostas se percam. É realmente impressionante a deficiência da maioria dos candidatos no quesito comunicação. Neste ponto os partidos políticos falham na preparação dos candidatos

Por fim, o eleitor precisa compreender que a administração pública mudou muito nos últimos anos. As instituições de controle ampliaram a fiscalização, as normatizações trouxeram orientações novas que exigem do gestor uma mudança de cultura. É preciso lembrar que a cultura das promessas fáceis se cristalizou no Brasil porque a “memória política” do eleitor é frágil. De certa forma, o político sabe que suas promessas dificilmente serão cobradas.

A sugestão é simples e bem conhecida: ler as propostas e participar das atividades políticas da cidade. Além disto, analisar o histórico do político e seu posicionamento diante de eventos importantes ajuda a formar uma opinião mais consistente. O volume de informações disponíveis é grande (impressos, redes sociais, programas de televisão e rádio, debates…). Cabe ao eleitor buscar informações.

O TSE relaciona em seu site (www.tse.gov.br) os 19 mil candidatos que participam do pleito de outubro, com nome, dados pessoais, a lista completa dos seus patrimônios declarados e quanto pretendem gastar na campanha.

A organização Transparência Brasil (www.transparencia.org.br/index.html) veicula na Internet um banco de dados com o histórico de vários políticos e a lista dos processos a que eles respondem nos Tribunais de Contas.

Fiscalização e participação da sociedade contribuem positivamente no bom andamento da política no Brasil.

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