O outro lado dos fatos, ou melhor, a verdade dos fatos!

O CARA

 

“Cabe ao legislador, como legitimo representante do povo, legislar sobre assuntos de interesses local, elaborar a Lei Orgânica do Município, e ainda a função de fiscalizar os atos do poder executivo, principalmente as contas e até mesmo do próprio legislativo. Um dos pré-requisitos da verdadeira democracia é um legislativo forte e atuante, que seja realmente independe para cumprir o seu papel de legislar e fiscalizar”.

Cumprimentos aos vereadores que votaram contra o projeto de lei 08/13 da secretária de assuntos jurídicos da Prefeitura de Osasco, que dispõe sobre autorização para abertura de crédito adicional especial ao orçamento vigente no valor de 8.107.538,66. Aparentemente parece lindo e maravilhoso o valor do crédito, entretanto vamos explicar os destinos desse valor. Ao contrário do que foi noticiado na mídia, não irá para nossa falida saúde de Osasco. Aliás, a saúde não foi contemplada em nada neste projeto.

O projeto foi para aprovação de 8.107.538,66,
120.000,00: Funcionário da chefia de Gabinete
5.000,00: Campanhas Sociais;
1.626,000, 00: Fundo da Criança e Adolescentes
3.540.000,00: Departamento de Tecnologia da Informação ????????
2.608.215,87: Educação
102.822,89: Merenda Escolar;
1.000,00: Departamento de Obras – Com tantas obras em Osasco para serem executadas, o valor mensurado causa estranheza.
4.000,00: Meio Ambiente
100.000,00 Encargos Gerais.

O QUE ACENDEU SUSPEITA E O MOTIVO DE ALGUNS VEREADORES NÃO ASPIRAREM VOTAR O PROJETO DE LEI. SOBRETUDO A GRANDE QUANTIA EM DINHEIRO DESTINADO PARA UM DEPARTAMENTO DESCONHECIDO DE TODOS, OU SEJA, 3.540.000,00 PARA INFORMÁTICA É ALGO MUITO ADVENTÍCIO!

Esse foi o motivo que levou o vereador Rogério Silva do PSC a votar contra o projeto de lei 08/13, assim como os vereadores, Maluco Beleza (PHS), Alex Sá (PDT), Batista da Comunidade (PT do B), Dinei Simão do (PSC) e os vereadores do PSDB: André Sacco, Sebastião Bognar, Francisco de Paula e Jair Assaf.
Antes de qualquer julgamento, é preciso apurar com responsabilidade os fatos para não cometermos nenhum ato de injuria ou difamação contra qualquer que seja o individuo.

No momento em que as especulações políticas ganham corpo e as movimentações começam a surtir efeitos, vale à pena fazer algumas reflexões sobre coisas que interferem no dia-a-dia das nossas vidas. Não me refiro a como a saúde pública está com o atendimento de péssima qualidade ou a educação está sendo vilipendiada, mas noutra que exerce controle direto sobre as duas. O poder legislativo.
Poderia estar falando aqui sobre o legislativo estadual ou até mesmo do federal, mas como as atenções estão todas voltadas para esfera de poder municipal, a reflexão vai sobre os nobres vereadores. Lamentavelmente, as contradições começam na esfera nacional e estadual, quando temos parlamentares, em sua maioria, subservientes e fiéis aos interesses políticos e econômicos do executivo.

Nas câmaras municipais essa relação não é diferente, chega a ser vergonhoso. Prefeitos controlam a maioria dos vereadores os quais mantêm com “empreguinhos” para seus familiares, um favorzinho aqui, um benefício ali… E assim o vereador fica mais distante do seu verdadeiro papel passando a ser apenas mais um boneco de marionete, um encabrestado. Um pau mandado do executivo.

Por outro lado, cabe à população exercer bem o seu direito de escolha quando chamada às urnas para depositar seu voto em vez de ficar se lamentando e dizendo que “vereador não serve para nada”

O bom legislador é aquele que analisa atentamente os atos do executivo e denuncia o que estiver ilegal ou imoral à população e aos órgãos competentes. Portanto, é o fiscalizador do dinheiro publico e não deve, em hipótese alguma, permitir que esse dinheiro seja objeto de barganha para apoiar o executivo incondicionalmente.

E aqui fica a pergunta: será que o vereador que presta apoio político irrestrito ao prefeito em troca de “benfeitorias” pessoais desempenhará livremente a função de fiscalizá-lo? É obvio que Não!

E é isso que acontece na maioria das cidades brasileiras. Precisamos agir para que a máxima franciscana distorcida: “É dando que se recebe” deixe de existir nas câmaras municipais.

O vereador deve ser destacado, atuante, e sempre ter a bravura de concordar com o que estar certo e discordar do que consentir errado. Aliás, a população precisa visitar as reuniões do Legislativo Municipal para saber como estão se permitindo os “representantes do povo”.

Por isso, precisamos de vereadores que atuem em defesa dos interesses do município e dos seus munícipes e que estejam dispostos a romperem com os costumes persistentes de subserviência e vícios. Que ajam sem apego a benefícios pecuniários, que usem com disposição a prerrogativa de denunciar possíveis fraudes envolvendo o dinheiro público.

É sempre bom lembrar que o vereador deve estar voltado aos interesses do povo e não aos do executivo, mesmo que este lhe ofereça mundos e fundos. Que vereador consciente contribui efetivamente para o desenvolvimento humano do município ajudando o povo a pensar e a se organizar.

Aos que exerceram competentemente as suas cátedras, os votos e aos que não foram dignos dos nos representar, a execração pública e a ruína nas urnas para que não mais voltem à Casa do Povo.
É importante renovar sempre!

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Osasco e as consequências do crescimento desordenado

osasco realidade

Por Roberto Carlos C
O crescimento não planejado dos centros urbanos causa problemas como favelas, ocupação de morros, encostas, violência e degradação ambiental. Na cidade de Osasco as evidências são claras desse crescimento desordenado que fere não só a natureza como também a própria sociedade.
É preciso ter sempre em mente que as pessoas merecem ter ONDE VIVER e não apenas ONDE MORAR. A Geografia Urbana, área que se insere no eixo de conhecimento da Organização do Espaço Geográfico eixo de conhecimento da e Planejamento Territorial, vem se dedicando cada vez mais a entender e estudar o crescimento desordenado dos ambientes urbanos. Mas, diante de um leque de fatores que levam aos dilemas urbanos, precisa-se entender primeiro o que é urbano, segundo definição do estudioso Manuel Castells: “Urbano designaria então uma forma especial de ocupação do espaço por uma população, a saber, o aglomerado resultante de uma forte concentração e de uma densidade relativamente alta, tendo como correlato previsível, uma diferenciação funcional e social maior”.
A intensidade desse processo de urbanização nos países subdesenvolvidos impossibilitou o planejamento e a estruturação do espaço geográfico para receber mudanças tão grandes, que necessitam de infraestrutura adequada. Osasco é um dos exemplos dessa intensidade: Uma cidade tão rica e tão pobre. Osasco tem o 12º maior PIB do Brasil. Segundo levantamento divulgado pelo IBGE, além disso, é a mais desenvolvida da região Oeste e a 4ª no ranking estadual. Por outro lado, existe uma característica de urbanização problemática, ou seja, o aumento da população urbana é muito maior do que sua capacidade de gerar empregos e acomodar essas pessoas. Neste contexto, a rápida urbanização, associada à inexistência de planejamentos e crises econômicas, provoca total desorganização no uso do solo, o que dá origem a bairros sem nenhuma infraestrutura pelo preço da destruição de áreas verdes e rios, além de provocar a saturação dos serviços públicos.
Exemplos: Jardim Açucará, Jardim Aliança, Jardim Rochdalle, Jardim Baronesa (Buraco do Sapo), Jardim Santa Rita e Morro do Socó, bairros situados na zona norte da cidade, com problemas sérios de planejamento e infraestrutura. As características marcantes da ocupação desordenada são as favelas, a ocupação em morros e encostas, a ocupação nas planícies fluviais (margens de córregos e rios) e periféricas.
Já os processos de violência e degradação ambiental, indicadores importantes de má qualidade de vida urbana, são gerados principalmente a partir de assentamentos irregulares, como loteamentos clandestinos e ocupação de áreas de risco. No Jardim Açucará especificamente, essa região vem sofrendo um constante processo de uso e ocupação. Ocasionando sérios riscos de deslizamentos de terra tanto pela retirada da cobertura vegetal nativa – desmatamento – como pela construção irregular em áreas com acentuadas declividades. As consequências destas agravantes são observadas por alguns problemas caóticos, entre eles: violência urbana – gastos infinitos com a segurança pública; caos no trânsito; vias saturadas e mal planejadas; transportes urbanos ineficientes e insuficientes; gastos enormes de dinheiro para atenuação dos problemas com as áreas de educação, saúde e habitação; poluição hídrica – córregos, rios; moradias desconfortáveis em morros, planícies fluviais (margens de córregos e rios); aglomerados urbanos sem infraestrutura; discriminação e preconceitos; poluição atmosférica estrutura; discriminação e preconceitos; e poluição visual.
Diante do problema, determinadas medidas podem ser tomadas para mitigar o problema: atuação no munícipio, colocando fim nas favelas, transferindo seus moradores para bairros completamente planejados com vias largas; praças esportivas, parques, hospitais, escolas, comércio, rede de tratamento do esgoto, construções de casas e não apartamentos (casas sustentáveis, com energia solar, aproveitamento das águas pluviais, espaço externo, etc.), transporte e público eficiente. Sobretudo políticas para fazer com que as pessoas tenham boa qualidade de vida nas periferias e que não precisam ir para o centro.
Uma possível solução
A correção de erros cometidos no passado pelo não planejamento é uma tarefa onerosa e de longo prazo, mas deve ser o primeiro objetivo do governo municipal. Para isso, é necessário que haja integração entre as dimensões econômicas e sociais na criação de novas estratégias, visando a um melhor planejamento da cidade. Dentro dessas considerações, as condições geoclimáticas, as áreas de lazer, ou seja, a busca pela melhor qualidade de vida de todos os cidadãos não podem ser desprezados.
A sociedade osasquense que paga seus impostos em dia, espera que o governo municipal tome providências para identificar as relações básicas, monitorar os processos em evolução, identificar as opções de planejamento e avaliar os prováveis resultados. Com isso contribuirão substancialmente e construtivamente para o debate urbano e a solução desse câncer na cidade.

Maluco Beleza – Simplicidade, carisma, popularidade e trabalho

BELEZA 2“Com um carisma único e uma simplicidade característica, o notório vereador vem cumprindo muito bem o seu papel e cooperando para o bom fluxo na casa de leis”Independente, atuante e popular. Esse é o vereador Maluco Beleza (PHS) que vem surpreendendo a todos no poder Legislativo de Osasco, com uma postura arrojada e independente, o Edil já fez algumas denuncias que chocou a opinião pública na audiência pública sobre saúde, realizada na Câmara, dia 21/03, e ministrada pelo atual secretário de saúde, Amando Mota.

Segundo Beleza, existe um “esqueminha” realizado por alguns médicos que não cumprem à carga horária de 12 horas. O suposto pacto entre os profissionais da saúde é para cumprir exclusivamente 2 horas. Uma desordem que merece uma atenção especial do poder executivo e providências emergenciais para banir esses maus hábitos profissionais. E não para por aí, em várias oportunidades o vereador já usou a tribuna da Câmara para cobrar do prefeito e seus secretários uma intervenção mais efetiva na zeladoria da cidade. Algo que vem incomodando vários vereadores e, sobretudo a população.

Essa é a postura que a população espera de um vereador. Atuante, polêmico, e deve sempre ter a coragem de concordar com o que considerar certo e discordar do que considerar que esteja errado. Deve agir com conhecimento e desarmado de ódios ou rancores. Exatamente por ser um “fiscal do povo”, não deve atrelar-se a prefeitos ou outras autoridades por meio de “favores”, caso contrário, sua função estará sendo deturpada. Diante do excelente exemplo de fiscalizador, Maluco Beleza vem conquistando cada vez mais seguidores e admiradores do seu trabalho. Com um carisma único e uma simplicidade característica, o notório vereador vem cumprindo muito bem o seu papel e cooperando para o bom fluxo da casa de leis.

Por fim, é isso que a população deve observar e cobrar de seus representantes. Aliás, a população precisa frequentar as reuniões dos Legislativos Municipais, para saber como estão se comportando os pretensos “representantes do povo”. Também é válido lembrar que pela estrutura social brasileira, ao vereador é sempre cobrada a função de assistente social. Isso vem de longe. São os costumes coronelísticos que persistem, como herança política da República Velha.

Ao nosso nobre colega e humilde vereador, a minha singela homenagem.
Continue com essa garra e vontade de trabalhar pela população. Seria muito bom se na Câmara tivessem mais Malucos como o nosso simpático Beleza.

A população de Osasco ficaria eternamente grata!

Será que teremos uma Câmara dividida depois de oito anos de submissão ao executivo?

BELEZA

Diante de tantos questionamentos, denuncias na saúde, rompimentos políticos, submissão ao executivo, máquina inchada, problemas administrativos em todos os departamentos da cidade e uma população cada vez mais desenganada com a política. Como o poder legislativo da 4º cidade do Estado vai se comportar daqui pra frente? Será que teremos uma Câmara dividida depois de oito anos de submissão ao executivo? Finalmente teremos uma oposição representativa e todos os projetos serão discutidos democraticamente? 
Essas e outras perguntas serão respondidas nas próximas sessões da Câmara. Esperamos que a verdadeira democracia prevaleça e os dois poderes se respeitem. Sobretudo governem para o povo osasquense que já não aguenta mais tanto descaso e corrupção.

Votamos em vereadores para administrar a prefeitura?

Para governar a cidade o prefeito(a) precisa empregar os filhos dos vereadores?

Na democracia é quem ganha que governa?

É necessário negociar com os adversários para ter governabilidade?

VEJA QUAIS SÃO AS OBRIGAÇÕES DE, VEREADORES E PREFEITOS

QUAIS AS FUNÇÕES DO VEREADOR?
O vereador, de maneira geral, é o representante do povo. No exercício desta função, o vereador é o fiscal dos atos do prefeito na administração dos recursos do município expressos no orçamento. O vereador também faz as leis que estão dentro de sua competência, e analisa e aprova as leis que são de competência da prefeitura, do Executivo. Em resumo, o vereador recebe o povo, atende as suas reivindicações e é o mediador entre o povo e o prefeito.

COMO É QUE O VEREADOR FISCALIZA O PREFEITO?
O vereador pode e deve visitar os diversos órgãos da prefeitura, onde toma conhecimento de tudo. Ele pode, ainda, fazer os pedidos de informação ao prefeito por escrito. O prefeito não pode deixar de responder e tem um prazo de 30 dias. Se ele não responder estará cometendo uma infração político-administrativa e pode ser punido por isso.

O QUE É UM PROJETO VETADO OU SANCIONADO?
Depois de aprovado na Câmara, o projeto vai ao prefeito que pode vetá-lo, isto é, recusá-lo, ou sancioná-lo, isto é, aceitá-lo como Lei. Se o prefeito não veta ou não sanciona, o projeto é promulgado como Lei pela Câmara dez dias depois. Existem os projetos de resolução e o decreto legislativo: O projeto de resolução serve apenas internamente na Câmara, e o decreto Legislativo serve para prestar homenagens e suspender os efeitos de atos do executivo considerados lesivos ao interesse público.

O VEREADOR TEM OBRIGAÇÃO DE ATENDER FORA DO HORÁRIO DA CÂMARA?
A rigor, o vereador não tem obrigação de atender fora do seu horário de trabalho em Plenário. Isso pode ocorrer em circunstâncias especiais. Porém, o vereador, como agente político, sozinho ou acompanhado de seus assessores, pode e deve fazer o atendimento aos seus eleitores nos bairros, vilas e centro da cidade. O vereador, também, não é obrigado a ficar o tempo todo em seu gabinete como pensam muitas pessoas. Nem os seus assessores. Constitucionalmente o trabalho de um vereador e de seus assessores não se limita apenas ao Plenário ou ao prédio da Câmara.

O QUE ACONTECERIA SE NÃO HOUVESSE UMA CÂMARA DE VEREADORES ?
Para quem gosta de ditadura seria excelente. Haveria uma economia de dinheiro, mas seria um grande prejuízo para a liberdade que assim estaria perdida. Uma Câmara de Vereadores como poder legislativo é a garantia de liberdade de um povo porque os seus representantes são escolhidos e eleitos pelo voto popular, pelo povo. A Câmara Municipal é a célula da democracia. É ela que evita, em primeira instância, o surgimento dos tiranos e dos ditadores.

Qual é a função do prefeito?
O prefeito administra a cidade, ou seja, faz cumprir as leis, faz com que os impostos e taxas sejam cobrados e, com esse dinheiro, realiza as obras e os serviços essenciais para a vida nas cidades, como manter a limpeza e a iluminação públicas, a segurança, o sistema de transportes (se for municipalizado), as ambulâncias e serviços de saúde municipais, as escolas. Os prefeitos também devem defender as cidades e seus moradores, buscando fontes de recursos para a melhoria das condições de vida da população, como o combate às enchentes, novas empresas para se instalarem no município e gerarem empregos, financiamento para obras.
Dessa forma, dada a importância da figura do prefeito municipal como chefe do poder executivo, o voto consciente enquanto fruto direto da avaliação dos candidatos e coligações é uma arma importantíssima no enfrentamento à corrupção, ao desmando, à coisa mal feita e à falta de capacidade administrativa, tão maléficos ao bem da coletividade. Assim, votar sem consciência equivale, em um jogo de futebol, a chutar para o gol sem se preocupar com questões básicas como direção da bola e força do chute. Em muitos casos, pior do que chutar para fora, é marcar um gol contra.

Gostou? Então compartilhe e nos ajude a construir um Brasil mais consciente politicamente.

Diga não ao analfabetismo funcional!

Você sabe como se elege um deputado?

Toda eleição, é a mesma coisa: muitos dos deputados mais votados não são eleitos e alguns parlamentares são eleitos com poucos votos. As pessoas sabem que isso ocorre, mas quase ninguém sabe explicar o porquê.
Outro fato eleitoral misterioso é o voto na legenda. Pessoalmente, me espantava que, nas eleições para deputados, era possível votar tanto no partido como no candidato: eu não entendia como era possível somar esses dois tipos de voto, que me pareciam incompatíveis.
A resposta para essas questões surpreende a maioria das pessoas: nessas eleições, só existe voto na legenda. Todo voto é dado para o partido, e esse é o núcleo do sistema proporcional, que é aplicado nas eleições para deputados federais, estaduais e vereadores.
Esse é um sistema engenhoso, que a maioria das pessoas desconhece justamente porque ele nunca é devidamente explicado nos meios de comunicação, sequer na publicidade institucional do TSE.
Cria-se, então, um círculo vicioso: não se explica o sistema porque ele parece complicado e ele parece ainda mais complexo porque nunca é explicado. Esse desconhecimento é prejudicial à democracia porque ele faz com que muitas pessoas votem contrariamente a seus próprios interesses por não saberem o real significado do seu voto.
Para romper esse ciclo de desinformação anti-cidadã, é preciso entender os dois modelos eleitorais que convivem em nosso país.
O sistema majoritário

No Brasil, cada estado e o DF têm direito a eleger entre 8 e 70 representantes para compor a Câmara dos Deputados, sendo que esses cargos poderiam ser preenchidos de várias maneiras. A mais fácil seria contar os votos e determinar que os candidatos mais votados seriam eleitos, o que significaria aplicar o chamado sistema majoritário, que é utilizado nos pleitos para eleger o presidente, os governadores, os prefeitos e os senadores.
Esse sistema tem a vantagem da simplicidade, mas ele tem um defeito imenso: ele privilegia a pessoa do candidato, e não nas suas idéias, o que gera muitas distorções. Imagine que, na eleição para presidente, haja três candidatos muito fortes: dois da esquerda (cada um recebendo 27% dos votos) e um da direita (que alcance 33%).
Se olharmos essa situação enfocando os candidatos não veremos nenhum problema, pois a diferença entre as votações é significativa. Porém, se entendermos que os candidatos são representantes de visões políticas, e não apenas indivíduos, veremos um grave problema: apesar da maioria absoluta da população (54%) ter escolhido candidatos da esquerda, o presidente eleito seria o candidato da direita, contando com o apoio de apenas 1/3 do povo.
Assim, o sistema majoritário seleciona o candidato mais votado, mesmo quando as suas idéias não correspondem às da maioria da população. Para resolver esse problema é que se institui a votação por maioria absoluta, fazendo com que só se elejam candidatos efetivamente escolhidos por mais da metade dos eleitores.
No caso descrito, como ninguém alcançou maioria absoluta, seria preciso realizar um segundo turno de votações, em que a existência de apenas dois candidatos faria algum deles tivesse de obter mais de metade dos votos válidos. Com isso, os votos do terceiro colocado tenderiam a migrar para o segundo, pois ambos representam idéias políticas semelhantes e opostas às do candidato da direita. Então, o segundo turno é uma maneira de garantir que, no sistema majoritário, seja eleito um candidato que de fato represente as concepções políticas da maioria do eleitorado.
Entretanto, além de o segundo turno ser um instrumento muito caro (pois exige freqüentemente a realização de duas votações), ele só é aplicável nas eleições em que está em jogo apenas uma vaga, o que o torna incompatível com eleições para deputados e vereadores, nas quais se adota um outro sistema.
Sistema proporcional

Esse sistema busca possibilitar o preenchimento de vários cargos, em um único turno, mas com a garantia de que os candidatos eleitos representem verdadeiramente as diversas concepções políticas existentes na sociedade. Assim, enquanto o sistema majoritário busca determinar a concepção dominante (agrupando em torno de um único candidato todos os eleitores que tenham visões semelhantes), o sistema proporcional procura retratar toda a diversidade de visões políticas de uma sociedade.
Isso é o que deve ocorrer tanto na Câmara dos Deputados como na Câmara Distrital, pois elas devem ser um retrato tão fiel quanto possível da multiplicidade de interesses e de ideologias da população que essas casas legislativas representam, pois a democracia não está em dar poder absoluto à maioria, mas na possibilidade de que todos os brasileiros se vejam representados, inclusive aqueles que fazem parte de grupos minoritários.
Por isso, na busca de garantir um legislativo efetivamente plural, equilibrando as representações das maiorias e minorias, a Constituição estabelece o sistema proporcional de eleição de deputados e vereadores.
O principal ponto desse sistema é que ele não trata os candidatos como indivíduos, mas como representantes de um grupo político. Assim, em vez de centralizar a eleição nos candidatos, o sistema proporcional privilegia os partidos, pois considera que cada partido representa um projeto político diverso. Por isso, as vagas são atribuídas aos partidos mais representativos, e não aos candidatos mais votados.
Por exemplo, há no DF oito vagas para deputado federal, a serem escolhidas por cerca de 1,6 milhão de eleitores. Assim, cada um dos deputados deve representar cerca de 1/8 do eleitorado (cerca de 200 mil eleitores). Como é pouco provável que algum dos mais de 100 candidatos atinja sozinho essa cifra tão alta, se essa eleição fosse realizada pelo sistema majoritário, vários dos eleitos teriam votação bem menor que a necessária para que eles fossem representativos.
Para evitar isso, o sistema proporcional não contabiliza os votos por candidato, mas por partido. Assim, cada partido pode apresentar 12 candidatos (150% do número de vagas), ou unir-se em uma coligação que pode lançar até 16 candidatos (200% das vagas), cujos votos serão contados em conjunto, para definir o número de cargos que serão atribuídos a cada bloco partidário. Além disso, a lei determina que somente participam da distribuição das vagas os partidos que atingirem ao menos 1/8 dos votos válidos, sendo excluídos os que ficarem abaixo desse patamar, mesmo que alguns de seus candidatos tenham obtido individualmente uma votação expressiva – por vezes acontece inclusive de o candidato mais votado não chegar a ser eleito.
Uma vez definido o número de votos de cada partido, é preciso definir os eleitos, entre os candidatos de cada bloco. É somente nessa hora que entra em cena a votação de cada candidato, pois as vagas de cada bloco partidário são preenchidas pelos candidatos mais votados dentro do partido ou da coligação.
Como as campanhas são personalistas e a maioria das pessoas vota em candidatos, cria-se a ilusão de que o voto não é dado para o partido, e sim para a pessoa. Isso, porém, não passa de ilusão, pois votar em um deputado específico significa votar no seu partido, manifestando uma preferência pelo candidato escolhido. Já o voto na legenda significa que o eleitor vota em um partido, mas não tem preferência por nenhum dos candidatos.
Por isso, antes de escolher nossos candidatos, é preciso observar com cuidado qual é a visão política predominante no seu partido, verificar se ele faz parte de alguma coligação e buscar saber quais são os candidatos mais fortes dentro do bloco partidário, pois são provavelmente esses os candidatos que serão eleitos com o seu voto. Assim, por mais que seja gratificante votar nos candidatos que despertaram nossa simpatia, não podemos perder de vista que, dentro do sistema proporcional, o nosso voto sempre vai para o partido, contribuindo para a eleição de candidatos que não escolhemos e que muitas vezes representam ideais políticos incompatíveis com os nossos.