Osasco e as consequências do crescimento desordenado

osasco realidade

Por Roberto Carlos C
O crescimento não planejado dos centros urbanos causa problemas como favelas, ocupação de morros, encostas, violência e degradação ambiental. Na cidade de Osasco as evidências são claras desse crescimento desordenado que fere não só a natureza como também a própria sociedade.
É preciso ter sempre em mente que as pessoas merecem ter ONDE VIVER e não apenas ONDE MORAR. A Geografia Urbana, área que se insere no eixo de conhecimento da Organização do Espaço Geográfico eixo de conhecimento da e Planejamento Territorial, vem se dedicando cada vez mais a entender e estudar o crescimento desordenado dos ambientes urbanos. Mas, diante de um leque de fatores que levam aos dilemas urbanos, precisa-se entender primeiro o que é urbano, segundo definição do estudioso Manuel Castells: “Urbano designaria então uma forma especial de ocupação do espaço por uma população, a saber, o aglomerado resultante de uma forte concentração e de uma densidade relativamente alta, tendo como correlato previsível, uma diferenciação funcional e social maior”.
A intensidade desse processo de urbanização nos países subdesenvolvidos impossibilitou o planejamento e a estruturação do espaço geográfico para receber mudanças tão grandes, que necessitam de infraestrutura adequada. Osasco é um dos exemplos dessa intensidade: Uma cidade tão rica e tão pobre. Osasco tem o 12º maior PIB do Brasil. Segundo levantamento divulgado pelo IBGE, além disso, é a mais desenvolvida da região Oeste e a 4ª no ranking estadual. Por outro lado, existe uma característica de urbanização problemática, ou seja, o aumento da população urbana é muito maior do que sua capacidade de gerar empregos e acomodar essas pessoas. Neste contexto, a rápida urbanização, associada à inexistência de planejamentos e crises econômicas, provoca total desorganização no uso do solo, o que dá origem a bairros sem nenhuma infraestrutura pelo preço da destruição de áreas verdes e rios, além de provocar a saturação dos serviços públicos.
Exemplos: Jardim Açucará, Jardim Aliança, Jardim Rochdalle, Jardim Baronesa (Buraco do Sapo), Jardim Santa Rita e Morro do Socó, bairros situados na zona norte da cidade, com problemas sérios de planejamento e infraestrutura. As características marcantes da ocupação desordenada são as favelas, a ocupação em morros e encostas, a ocupação nas planícies fluviais (margens de córregos e rios) e periféricas.
Já os processos de violência e degradação ambiental, indicadores importantes de má qualidade de vida urbana, são gerados principalmente a partir de assentamentos irregulares, como loteamentos clandestinos e ocupação de áreas de risco. No Jardim Açucará especificamente, essa região vem sofrendo um constante processo de uso e ocupação. Ocasionando sérios riscos de deslizamentos de terra tanto pela retirada da cobertura vegetal nativa – desmatamento – como pela construção irregular em áreas com acentuadas declividades. As consequências destas agravantes são observadas por alguns problemas caóticos, entre eles: violência urbana – gastos infinitos com a segurança pública; caos no trânsito; vias saturadas e mal planejadas; transportes urbanos ineficientes e insuficientes; gastos enormes de dinheiro para atenuação dos problemas com as áreas de educação, saúde e habitação; poluição hídrica – córregos, rios; moradias desconfortáveis em morros, planícies fluviais (margens de córregos e rios); aglomerados urbanos sem infraestrutura; discriminação e preconceitos; poluição atmosférica estrutura; discriminação e preconceitos; e poluição visual.
Diante do problema, determinadas medidas podem ser tomadas para mitigar o problema: atuação no munícipio, colocando fim nas favelas, transferindo seus moradores para bairros completamente planejados com vias largas; praças esportivas, parques, hospitais, escolas, comércio, rede de tratamento do esgoto, construções de casas e não apartamentos (casas sustentáveis, com energia solar, aproveitamento das águas pluviais, espaço externo, etc.), transporte e público eficiente. Sobretudo políticas para fazer com que as pessoas tenham boa qualidade de vida nas periferias e que não precisam ir para o centro.
Uma possível solução
A correção de erros cometidos no passado pelo não planejamento é uma tarefa onerosa e de longo prazo, mas deve ser o primeiro objetivo do governo municipal. Para isso, é necessário que haja integração entre as dimensões econômicas e sociais na criação de novas estratégias, visando a um melhor planejamento da cidade. Dentro dessas considerações, as condições geoclimáticas, as áreas de lazer, ou seja, a busca pela melhor qualidade de vida de todos os cidadãos não podem ser desprezados.
A sociedade osasquense que paga seus impostos em dia, espera que o governo municipal tome providências para identificar as relações básicas, monitorar os processos em evolução, identificar as opções de planejamento e avaliar os prováveis resultados. Com isso contribuirão substancialmente e construtivamente para o debate urbano e a solução desse câncer na cidade.

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